30 de março de 2015

The Outsiders



Não surpreende, depois de se ver “The Outsiders/Os Marginais” (1983), que Francis Coppola se tenha referido a “Rumble Fish” (1983), o filme que rodou imediatamente a seguir (e também baseado num romance de S. E. Hinton), como «my carrot for what I promised myself when I finished The Outsiders».  O tema e o cenário são essencialmente os mesmos: a vida numa pequena cidade americana, a rivalidade entre gangues, o mosaico de ilusões e dramas que daí fatalmente resultam. Contudo, o registo visual arrojado e a estilização deliberadamente levada ao extremo de “Rumble Fish” contrastam com o naturalismo adimensional de “The Outsiders”, com uma dose apreciável de esquematismo sentimental e com um simbolismo algo fraco. As excepções são as cenas esplendorosamente filmadas por Stephen H. Burum em que Ponyboy (C. Thomas Howell) e Johnny (Ralph Macchio) se escondem numa igreja abandonada e se entregam aos gestos simples da sobrevivência e da passagem do tempo, fazendo lembrar Sissy Spacek e Martin Sheen no seu éden provisório em “Badlands” (1973), de Terrence Malick.