6 de julho de 2015

As Nuvens de Sils Maria




Depois de um longo cortejo de adiamentos e falsos alarmes, Nuvens de Sils Maria estreou finalmente e o Cinéfilo Preguiçoso confirma que valeu a pena esperar. A décima quinta longa-metragem realizada por Olivier Assayas é um filme de uma complexidade, ambição e inteligência que contrastam salutarmente com a maioria das propostas do panorama cinematográfico actual. O enredo gira em torno de Maria (Juliette Binoche), uma actriz que deve a sua fama ao facto de ter sido escolhida, em início de carreira, para a peça de um dramaturgo consagrado. Anos mais tarde, aceita retomar a peça, desta vez no papel de uma mulher de meia-idade que mantém uma relação tensa e ambígua com a personagem da jovem que representou outrora. Para se preparar, isola-se com a assistente (Kristen Stewart) no chalé do dramaturgo recém-falecido. O filme explora as dificuldades de lidar com a passagem do tempo. Assayas respeita suficientemente a inteligência do espectador para evitar um desenlace límpido e fechado: permanecem as dúvidas sobre o que aconteceu realmente à assistente (personagem - real ou imaginária? - que personificava as dúvidas e os conflitos de Maria), e a reacção da actriz à proposta de um jovem realizador (que lhe sugere um papel que parece anular o peso do factor tempo) é ambígua. Sendo Assayas um antigo crítico dos Cahiers du Cinéma e um cinéfilo ecléctico, não surpreendem os numerosos ecos cinematográficos, voluntários ou não: O Raio Verde (Éric Rohmer, 1986 - importância de um fenómeno atmosférico), Swimming Pool (François Ozon, 2003 - relação tensa entre uma escritora e uma mulher mais jovem, talvez imaginada), Persona (Ingmar Bergman, 1966 - actriz em crise, isolada com a mulher que a tenta ajudar).